Tentativa #1

Disclosure: Tentativas são textos formados por impressões, instintos. Podem, ou não, fazer sentido.

Um homem anda um caminho árduo por vingança. Um outro por amor. Um último por saudades. Qual trajetória é mais interessante acompanhar? A vingança, certamente… emoção, redenção! Ou o amor? Uma linda obsessão. Também há saudades. O desejo de resgatar o que já se foi.

Suponhamos que nenhum dos três objetivos é alcançável. Os três homens andam munidos apenas com a doce ilusão de uma falsa esperança. Todos entram em desespero. Perdem a sanidade; cometem atos impensáveis. Qual a ação mais imprevisível? Qual a mais intensa?

Opiniões vivem mudando.

Idiota da vila

Algumas pessoas são mais inteligentes que outras. Outras são mais burras que algumas. Nada de ruim ou incomum nisso.

Apenas tente não ser o mais burro de todos. Toda vila tem um idiota. Tente não ser ele.

Na dúvida, fique quieto. Sempre haverá um idiota pra abrir a boca e reclamar o título para si.

Cut

Eu não tenho muito o que falar de bom da minha ex, como um bom ex que sou. No entanto, vem-me a mente uma coisa que ela fazia que eu admirava muito – apesar de que, friamente analisando, era uma atitude extremista sem muito pensamento. Sempre que algo começava a lhe fazer mal, ela cortava completamente. Se o livro tava dando desgosto, mesmo que faltasse umas 20 páginas, deixava de ler. A roupa rasgou um tantinho? Jogava fora. Não queria se incomodar, procurava apenas facilidades na vida. Infelizmente, o mesmo se aplicava para pessoas.

Se Fulano, por mais que fosse o maior amigo dela, começasse a fazer mal pra ela – seja por virar drogado, ficar fazendo ironias e deboches frequentes ou fofocando cidade afora – simplesmente cortava toda e qualquer forma de contato com a pessoa. Filosofia de stress zero. O que importava era o bem estar dela, e ninguém tinha o direito de interferir nisso.

Nos últimos anos, tenho tentado ser mais tolerante. Evito falar coisas ruins; sigo aquela filosofia clássica do “se não tem nada bom pra dizer, fique calado.” E hey, veja só! Funciona! A priori, quando comecei a me comportar assim, muitos ficaram descrentes. Começaram a achar que era tudo um fazimento meu: um plano pra extorquir algo deles, como aquelas pessoas que só aparecem na tua vida para pedir favores. Após algum tempo, concederam: “Ele mudou!” Todos regozijaram em uníssono. Contudo, há um problema oculto aos olhos de todos, exceto os meus.

É muito ruim segurar tudo. Algumas pessoas simplesmente merecem ouvir que estão erradas; eu não consigo deixar de dizê-lo. Algo que eu não faço nem nunca farei é fofoca maldosa… Como ver a foto de alguém feio se achando bonito e ir avacalhar o fotografado com outrem. E alguns exageram, insistem no erro, nas atitudes irritantes. Chega a um ponto que não aguento mais, e é uma merda ficar engolindo esses sapos, não importa o círculo social. É nesse quesito que minha ex simplesmente cortaria contato e continuaria feliz a vida dela.

O ponto é que ela caía numa falácia. Um extremismo desnecessário. Estava correta em tirar as coisas ruins da vida dela, mas talvez não na maneira. Não tentava consertar, remediar ou, quem sabe, prevenir os problemas. Simplesmente destruía o que tinha formado até então e começava novamente do zero. Uma atitude completamente abominável, sob certa ótica. Egocêntrica e mesquinha. Sem um mísero pensamento nos outros.

Mas o que fazer? A solução ideal, na minha opinião, é, antes de mais nada, comentar casualmente sobre o que te irrita com outras pessoas que são expostas à mesma coisa. Se essas outras pessoas confirmarem que também ficam irritadas, tu vais poder confirmar que não é um mero cacuete teu e está afetando mais de uma pessoa, o que nos leva à atitude seguinte: puxar a pessoa irritante pra um lado e conversar.

Deve-se explicar a situação calmamente e amigavelmente. Dizer que a pessoa está tendo atitudes que estão incomodando os outros e que seria melhor não só pra eles, mas também pra própria pessoa, rever como age. Só que aqui chegamos a um ponto crítico.

É difícil demais alguém conseguir fazer uma auto-análise e admitir o erro. Vai provavelmente dizer que é frescura tua e que tu não precisas te preocupar. E eu não sei o que fazer depois desse ponto, porque insistência vai resultar em briga e desistência vai resultar em continuidade e desperdício de esforços. Talvez meses após a conversa, venha a perceber o que tu dissestes e mudar, mas quem garante?

Infelizmente, acho que ambos minha ex e eu estamos corretos. Ou se corta o quanto antes, ou se vive engolindo sapos.

Ano que passou

Texto de 25/12/2011. Tem um update no final.

O grande problema de avaliar um ano que se passou é que nós tendemos a lembrar apenas de fatos que aconteceram recentemente… digamos nos últimos três meses. No entanto, o ano é muito mais que outubro a dezembro.
Por mais que geral goste de comentar “nossa, como esse ano passou rápido!”, a verdade é que só parece que isso acontece exatamente por termos memória seletiva e curta dos acontecimentos. Por exemplo, quando eu penso naquele momento em que voltei a falar com aquela pessoa lá no início do ano, percebo há quanto tempo realmente foi, e quantas coisas vivenciei com ela desde então. Só que por essas coisas serem boas, foram umas aglutinando às outras, e carrego elas sempre comigo até hoje. Dado a isso, não parece que faz muito tempo.

Penso nas pessoas que eu interagia nas matérias do primeiro semestre de 2011 da universidade, e percebo que faz um tempão que aconteceu. Uma matéria em particular era terrível pois eu tinha de conviver diariamente com gente que não me dava bem, com quem eu obviamente não tinha afinidade (OLHA O BBB12 AÍ GENTE) alguma e com quem era degradante conversar. A impressão que eu tenho é que faz pelo menos uns dois anos que isso aconteceu, e isso é porque nós enterramos as coisas ruins no fundo das nossas memórias. É um sistema automático anti-depressão, praticamente.

Mas, como hoje em dia ninguém lê mais, ouso dizer que dá pra resumir meu ano em uma única conversa que tive com um amigo meu (afinal, é necessário ousadia pra resumir 365 dias em alguns minutos).

Foi uma conversa casual de duas pessoas se encontrando no corredor. Ele comentou que o ano dele tinha sido horrível, e eu refleti quanto ao meu por alguns instantes… percebi que não foi ótimo, mas também não teve coisas pavorosas de ruim. “É, o meu também não foi lá essas coisas”, comentei. E ele replicou que tinha dado PT no carro, e o namoro dele com a namorada que ele tanto amava tinha acabado, alguns conhecidos amigos dele tinha morrido em certos acidentes… E eu fiquei pensando. “Poxa vida. Esse ano não está sendo tão ruim assim.”

Comecei a dar maior valor às coisas boas que surgiam, e também às ruins (não abertamente… é sabido que eu não sou o tipo de pessoa que se emociona por pouco). Não com o objetivo de mudar minha imagem para as outras pessoas, foi algo mais pessoal mesmo. Acredito que aquele que se tranca para seu sofrimento se trava igualmente para a alegria, para o êxtase, para o amor e, principalmente, para a dor e sofrimento daqueles que lhe são importantes.

Desse modo, digo que 2011, para mim, serviu como auto-conhecimento e realizações pessoais (nada concreto, concedo, mas ainda assim válidas).

Por fim, quero que 2012 seja bom para todos, e acho que é isso.

UPDATE: Estamos em meados de março, ou seja, três meses após o texto original. O tal cara que eu citei desabafando sobre a vida tem hoje uma namorada legal bagarai, bom emprego, bons amigos e pouco a reclamar da vida. A vida dá voltas e tudo isso só me faz constatar mais ainda que reclamar – choramingar – é fútil e imaturo.

Redes Sociais

Acho que, antes de mais nada, é bom esclarecer que eu não penso sistematicamente como o post a seguir… Eu apenas tenho noção e capacidade de depurar e avaliar o que me faz agir deste jeito nas redes sociais. Eu não penso “isso que quero postar é material de Facebook”, tampouco deixo de fazer uns quatro tweets seguidos porque está começando a deixar de ser material de Twitter. Não acredito em regras rígidas para a maioria das coisas – valorizo a flexibilidade. Acredito ser importante esclarecer isso antes de mais nada porque eu temo que alguém vá assumir que toda e qualquer atitude minha seja resultado de um frio e elaborado raciocínio meu a fim de alcançar algum objetivo como… sei lá, dominação mundial.

Retomando, eu não penso antes de fazer a maioria das coisas que eu faço, porém sei levantar padrões e fazer uma auto-análise supimpa quando quero. No caso agora, o como eu uso as redes sociais hoje em dia. Vou descrever brevemente cada uma das que eu uso. Não são conjuntos de regras máximas que eu sigo, são apenas as minhas observações sobre o meu próprio comportamento.

Facebook

Eu geralmente posto o que apela às massas. Estive numa excursão no Canadá em fevereiro de 2012 para as Rocky Mountains. Em dado momento, o guia perguntou pra galera do ônibus quem usava Facebook e quem usava Twitter. Dos ~36 presentes, quase todos usavam Facebook, e apenas 3 usavam Twitter. E realmente, tenho o dobro de amigos no Facebook do que tenho followers no Twitter. Eu tenho a impressão de que ninguém mais gosta, tem tempo ou tem disposição pra ler longos textos na internet. Muito mais prático apenas ver imagens. Daí preferem o Facebook, onde todos compartilham imagens engraçadinhas e postam fotos das suas vidas. Eu não lembro onde, mas certa vez li ou ouvi algo como “antigamente as pessoas tiravam fotos para guardar e relembrar bons momentos das suas vidas; hoje tiram para mostrar em redes sociais.” Dessa forma, acabo postando o que apela às massas: algumas fotos da minha vida, algumas pouquíssimas imagens que achei engraçadas ou válidas para qualquer um. Mas mais do que isso, eu publico coisas que tenham a ver fisicamente comigo. É muito raro eu dar uma opinião qualquer. Eu sinto que o Facebook geralmente não é o lugar ideal para introspecções. Mesmo que alguém leia, talvez ignore completamente. Nem ao menos curta. Não tem saco pra discutir a pauta das minhas ideias comigo. Não quer se expôr num post “profundo”. Só quer ver e ler coisas rápidas para ficar a par da tua vida. Pensando bem, é por isso que não uso muito o Facebook. Detesto a ideia de outrem me analisando e me julgando com preceitos que nem eles sabem direito se são corretos ou não. Ou por que os seguem.

Twitter

Notícias que julgo interessantes, imagens que julgo interessantes, textos que julgo interessantes. Gosto do Twitter porque é rápido e eficaz pra se informar sobre o mundo. Algumas pessoas metralham tweets sem dó, o que me irrita bastante. Evitando ser hipócrita, admito que às vezes também me empolgo e solto uma saraivada de tweets, mas também posso passar dias sem ter algo relevante pra enviar. Posso enviar links diretamente e rapidamente a quem acredito que eles serão relevantes. Além disso, no meu dia-a-dia eu tenho alguns pensamentos rápidos que eu gosto de divulgar no Twitter. Algumas vezes são coisas bobas como “notei que comida tal parece tal animal”, mas eventualmente me encarna o Goethe e resolvo comentar filosofias e derivados. E eu me sinto bem porque, correndo o risco de não ser humilde, parece que estou providenciando algo bom para quem me segue. Pode até não concordar comigo, mas eu acabo fazendo com que aqueles que me leem reflitam um pouco sobre as grandezas – novamente, falta de humildade – da vida.

MSN

Confiança e broderagem. Os pontos mais privados da minha vida os quais compartilho num computador são nesse programa. Conversas diretas um com um ou conversas em grupo com vários bons amigos – gosto do termo “bróders”. É meio elitista, mas é um reflexo da vida real. Sempre haverá pessoas que tu vais preferir conversar e engajar em relacionamentos – seja amoroso, profissional, de broderagem etc. As pessoas mais próximas gostam de saber histórias do que tem acontecido contigo. No MSN, é possível contar elas inteiras sem medo de retaliação. Afinal de contas, tu estás falando com quem gosta de ti e te respeita. E todos precisamos de alguém pra ouvir nossas mágoas de vez em quando na falta de alguém ao teu lado na vida real. Considero deselegante demais reclamar em público. Muito melhor apenas comentar o que te aborrece pros mais próximos. Ou nem comentar. Vá resolver isso sozinho.

IRC

Cavalheirismo. Apesar de seguir a mesma linha dos Grupos do MSN, onde vários bons amigos em comum falam sobre tudo, eu sinto que o IRC propicia um ambiente onde as pessoas conseguem e podem pôr à tona o máximo das suas capacidades cognitivas. Quando uso o IRC, é frequente eu me sentir como um Gentleman vivendo na Inglaterra do século XVIII. Tudo o que discuto no IRC também discuto no MSN, mas sei lá… é diferente. No IRC, do nada começo a utilizar palavras mais complexas que eu nem sabia que existiam, e tudo flui e eu sinto que sou inteligente – uma falácia.

Enfim, é a minha impressão. É diferente pra todo mundo.